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5 dicas para sacudir os seus neurônios e potencializar a sua criatividade

#1

#2 Procure ser uma pessoa observadora

#3 Trabalhar escutando música

Aquele silêncio em que escuta um alfinete caindo no chão pode ser muito bom para uma boa leitura, para o processo criativo ele pode não ser o mais indicado. Pesquisas indicam que a música tem o poder de estimular o nosso cérebro. Além disso, a música nos distrai do que ocorre ao redor do ambiente de trabalho e permite que foquemos na tarefa.

Eu, por exemplo, ouço música clássica enquanto estou escrevendo. Muitos usam a música clássica apenas como um remédio contra a insônia. Cada um pode escutar a música que bem entender, claro. A questão é que ela pode ser nossa aliada.

#4 Leia ficção

Qualquer leitura, até mesmo bula de remédio, é enriquecedora. A questão é que para nós que temos nas palavras o seu instrumento de trabalho a leitura de ficção é fundamental. Livros técnicos, científicos, biografias são excelentes mas não trazem a chama da criatividade; esses livros apenas ensinam, propõe teses, conta detalhes da vida de uma pessoa que admiramos.

Os livros de ficção, como não têm esse trunfo que mantém o leitor dos livros das outras categorias preso até o final, são obrigados a usar de artifícios dos mais variados para não perder o leitor.

Esses “truques” que os grandes escritores usam e que você deve entender quais são – isso se consegue com uma leitura atenta – podem ser utilizados no momento do desenvolvimento de um texto, independente do seu tamanho.

#5 Escreva todo santo dia

Eu só escrevo quando estou inspirado. Felizmente, eu estou inspirado todo dias às 09h da manhã” William Faulkner

É claro que a escrita literária é muito diferente da escrita publicitária. O que eu quero expôr com essa citação de Faulkner é que nós devemos escrever todos os dias; mesmo que seja para selecionar tudo e apertar com força a tecla do delete do seu computador.

E você, tem alguma dica para aumentar o poder criativo dos seus colegas de profissão? Compartilha com a gente aqui nos comentários.

 

 

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Cinema · História em quadrinhos · Literatura

A introspecção de ‘O Natimorto’

Há algum tempo a Caixa Cultural Rio de Janeiro promoveu um festival que tinha como foco filmes baseados em obras literárias. Essa questão, de pegar uma história originalmente pensada para uma plataforma exclusivamente ocupada pela palavra escrita e levá-la para a tela grande dos cinemas é sempre muito curiosa; tanto de fazer como de prestigiar. Esse festival, que tive o prazer de conferir, aconteceu antes mesmo de alguns cinemas corajosos se aventurarem em exibir uma obra audiovisual tão calcada na palavra – aqui falada – como é o caso do filme ‘O Natimorto’.

O filme é baseado no romance homônimo de Lourenço Mutarelli que também assume o papel de protagonista. Atuar não é necessariamente uma novidade para Mutarelli. Na adaptação de outra obra sua, ‘O Cheiro do Ralo’, que contou com Selton Mello no elenco, o escritor e desenhista fez o papel de segurança do estabelecimento do personagem central da trama.

A história gira em torno de um homem que interpreta os avisos nos versos das embalagens de cigarro qual cartas de tarô. A cada novo maço comprado no início da manhã, ele cria que a mensagem ali contida seria o prenúncio do que aconteceria ao longo do dia que se iniciava.

Quase em sua totalidade, a trama se desenrola dentro de um quarto de hotel para onde o personagem de Mutarelli, um caça talentos, leva uma cantora vivida por Simone Spoladore para esperarem pelo dia de apresentá-la a um maestro que não chegamos a conhecer. Engana-se quem pensa que algo mais carnal acontece entre os dois. Em algumas partes isso até é levantado e o espectador –síndrome do final feliz- fica no aguardo de uma cena caliente.

Por ter grande parte de suas cenas concentradas em um só cenário, temos quase a impressão de um teatro filmado –o livro também tem uma versão para os palcos-, característica potencializada pelas conversas de cunho introspectivo entre os dois personagens. Apesar de um casal pouco convencional temos um casamento interessante entre a beleza de Spoladore e a sensibilidade artística e a timidez de Mutarelli. Ambos se completam. Confesso que prefiro Lourenço no papel de escritor, mas nesse caso em particular, por ter sido ele a mente por trás do criativo argumento que deu origem à fita, o papel lhe caiu muito bem.

Outra relação que pode ser traçada em ‘O Natimorto’ é com as histórias em quadrinhos, a primeira morada artística de Mutarelli. Duas cenas em particular me levaram a imaginá-las desenhadas em página única. Impossível não ver a cena onde o agente está deitado no chão coberto por baratas, larvas e gafanhotos e aquela onde o mesmo personagem se encontra todo encolhido na banheira e não associar ao universo dos quadrinhos, ainda mais se conhecer a história pregressa do ator/ autor ou autor/ ator.

Como já dito anteriormente os diálogos imperam nesse trabalho que conta com a direção de Paulo Machline e roteiro de André Pinho. É sentar e se concentrar nas falas e pescar as sacadas que o agente desenvolve em seus devaneios com as advertências dos maços de cigarro. É maduro e, o melhor, demonstra que a grana pode até auxiliar a desenvolver um bom trabalho para a sétima arte, porém, nada substitui uma boa história e uma equipe segura, coesa e que acredita no projeto que está ajudando a concretizar.